É tão fácil se doar. Mas é difícil limitar. Chega um determinado momento que a doação não faz bem pra quem recebe. Muito menos pra quem doa. Eu, por exemplo, nunca aprendi o limite. Sempre fui além, me doando e sobrando pouco de mim pra mim mesma. E pra piorar, quando alguém queria se doar por mim, eu não aceitava, sempre acreditando que o outro não tinha que se sacrificar. Mas e por que eu tinha? Nunca soube responder. É algo intrínseco, sei lá. Às vezes um produto já vem com defeito de fábrica, entende? Sei que não cabe comparar pessoas a produtos, mas às vezes é como me sinta diante do que tenho feito com a minha vida. Estou vivendo a vida de outros e esquecendo que eu também existo, que eu também choro, sofro, tenho sono, quero colo, sou carente e coisas mais. Esqueço que também faço parte desse mundinho. Meu tio dizia: "você não é Madre Teresa de Calcutá, e mesmo se fosse, quem é que cuida de você?". Eu nunca parei pra pensar.
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