quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Ferindo corações desde os sete anos de idade. Brincadeirinha. Convenhamos, sete anos é uma idade tensa. Tinha acabado de mudar de colégio. Saí de uma escola de bairro para uma escola dez vezes maior. Em todos os sentidos. Me sentia muito perdida. Depois de algum tempo na primeira série A tinha feito amigos e não me sentia mais tão deslocada. Na época, quando a aula acabava descíamos em fila para o pátio, onde aguardávamos a chegada de nossos pais. Lembro-me de estar no último lugar da fila das meninas (sempre fui a mais alta da turma, pelo menos até o ensino médio) e um garoto, também o mais alto do lado dos meninos, mais baixo do que eu, olhou pra mim e disse: "Quer casar comigo?". Olhei para ele meio assustada. Dificilmente conversávamos e ele sempre arranjava algum motivo pra brigar comigo ou me incomodar - depois de um tempo a gente vê que algumas coisas são sempre contraditórias, mas, voltando ao evento - fiquei encarando ele sem entender e disse "Não" - a última coisa que a gente pensa quando é pequena é em casamento, na verdade, em casar de verdade, em casamento a gente até pensa, mas nas brincadeiras de bonecas. E a única coisa de que me lembro, depois disso tudo, foi de ver a minha mãe correndo para ver como eu estava no pé da escada. Sim, ele havia me empurrado. Talvez se eu tivesse dito que iria pensar, as coisas teriam sido diferentes. Hoje, analisando essa pequena história, eu vejo como é difícil aceita não's durante a vida... e isso independe da idade.
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